“Dona Xepa” promete ser uma boa opção da Record para 2013

segunda-feira, 13 de maio de 2013


Assisti com receio ao clipe de lançamento da novela “Dona Xepa”, apresentada à imprensa nesta terça-feira (07/05), em um estúdio do Recnov, no Rio de Janeiro. Meu maior medo era a Record imprimir à sua nova novela a mesma pegada popularesca da atual “Balacobaco”. Mas não. 

A próxima trama da emissora, que estreia dia 21, me pareceu “redondinha”, no sentido de ser uma novela sem maiores pretensões de obrigatoriamente agradar à famigerada “nova classe C” – como é “Balacobaco”, uma produção repleta de caricaturas e uma trilha por demais popularesca. 

A história de “Dona Xepa” – a mãe batalhadora e simplória desprezada pelos filhos carreiristas – é, acima de tudo, um prato cheio para agradar públicos de todas as classes sociais. E parece que a Record vai tratá-la como deve ser: apenas um novelão. 

A peça de Pedro Bloch – na qual a novela é inspirada – já foi adaptada para o cinema (filme de Darcy Evangelista, de 1959, com Alda Garrido) e, pelo menos, duas vezes para a TV (a novela “Dona Xepa”, de Gilberto Braga, em 1977, comYara Côrtes, e a novela “Lua Cheia de Amor”, escrita por Ricardo Linhares, Ana Maria Moretzsohn e Maria Carmem Barbosa, em 1991, com Marília Pêra). 

É claro que o autor Gustavo Reiz e sua equipe de roteiristas vão imprimir modernidades à nova história. Um vídeo de Dona Xepa vai cair no Youtube e virar hitna Internet. Vai ter mulher-fruta (nada mais condizente com a feira da novela), busca desmedida pela fama e especulação imobiliária. Coincidentemente, a novela das sete da Globo, “Sangue Bom”, também tem mulher-fruta e busca pela fama. 

A nova classe média será retratada, claro, mas de forma mais comedida, menos acintosa: a classe abastada se rendendo ao poder econômico da nova classe C. Até a trilha sonora vem melhor. Curiosamente, o tema de abertura é o mesmo da versão da Globo de 1977 – a música “A Xepa” de Ruy Maurity e José Jorge, dessa vez em uma regravação de Eliana de Lima. 

A história é ambientada em São Paulo, que está em alta na nossa Teledramaturgia: as outras emissoras também apostam na capital paulista, que detém o principal mercado publicitário do país. “Sangue Bom” e “Amor à Vida”, as novas novelas da Globo, também se passam lá (assim como “Chiquititas”, do SBT). Mas Gustavo Reiz preferiu não nomear regiões ou bairros de São Paulo. “Dona Xepa” se passa na fictícia Vila do Antigo Bonde e em algum bairro rico. Fim. 

A previsão de duração inicial é de 96 capítulos – o que seria ideal para uma novela com um elenco enxuto. “Dona Xepa” tem apenas 31 atores, uma exceção nos dias de hoje e entre as tramas da emissora. Ângela Leal vive a protagonista – a atriz já participara da versão da Globo, de 1977. Thaís Fersoza e Arthur Aguiar (saído de “Rebelde”) são seus filhos Rosália e Edison. O restante de personagens têm nomes diferentes dos de outras versões da história. E Gustavo Reiz criou novas tramas que não existiam nas outras novelas. Luiza Tomé vive a perua esnobe Meg Pantaleão, que – de longe – tem algum paralelo com a popular Kika Jordão, vivida por Arlete Salles em “Lua Cheia de Amor”, em 1991. 

A direção geral é de Ivan Zettel. A Record terceirizou a captação de imagens da cidade de São Paulo. “Dona Xepa” será a primeira novela da emissora gravada em 24 quadros por minuto, o que lhe confere uma aparência mais próxima do cinema. Pelo vídeo de apresentação, me pareceu uma novela colorida, alegre, como toda feira. 

Mas só Deus e os bispos da Record poderão dizer o que pode acontecer nos próximos meses. Tudo dependerá da audiência (se for boa, a novela será espichada, prática comum na Record) ou da situação da emissora em relação à trama substituta, “Pecado Mortal”, de Carlos Lombardi – que poderá ter sua estreia bastante protelada. 

Do Blog de Nilson Xavier | Imagem: TV Record

0 comentários:

Postar um comentário

leia também