Carnaval na Bahia corre o risco de ser um fiasco após onda de violência

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A insegurança gerada pela paralisação de policiais militares na capital e no interior da Bahia está refletindo na vida cultural da cidade.

A menos de dez dias do Carnaval, Salvador se preparava para as festas de pré-folia com ensaios e shows de aquecimento, mas precisou tirar o pé do freio por causa da onda de violência que rola pelo estado desde o dia 1º de fevereiro, quando a Polícia Militar do Estado entrou em greve.

Desde o final de semana, artistas como Ivete Sangalo, Daniela Mercury, Psirico e Harmonia do Samba cancelaram suas apresentações por medo da falta de segurança para o público e, claro, pessoal.

O cantor Moraes Moreira foi um dos únicos que não se abalou com a onda de violência e manteve sua agenda. Ele se apresentou em Salvador no sábado (4). Com reforço da polícia, o cantor agradeceu aos fãs que estiveram no show, que não contou com o convidado Carlinhos Brown, que cancelou sua participação.

- Tem gente que me chamou de irresponsável, mas é muito pelo contrário.

Apesar de ter cancelado a apresentação no Cerveja e Cia. Folia, no sábado (4), Ivete Sangalo mantém sua animação para o Carnaval.

- Torço que tudo fique bem e que nós soteropolitanos tenhamos mais segurança, que é um direito da sociedade.

Léo Santana, líder do Parangolé, aderiu à campanha no Twitter que usa a hashtag (espécie de palavra-chave) #abahiapedepaz, que é reforçada por famosos como Preta Gil, Xanddy do Harmonia do Samba e grupo Eva.

O cantor de hits como Rebolation e Tchubirabiron acredita que o “estado de guerra” está chegando ao fim.

- Vai existir um ponto de acordo entre eles, afinal, um depende do outro e a nossa sociedade deles juntos.

No entanto, Léo está preocupado com a repercussão da onda de violência na Bahia, mas torce para que o impasse não interfira na época mais importante da capital da folia, o Carnaval.

- Acredito e torço para que esse acordo aconteça antes do Carnaval, não atrapalhando em nada a maior festa popular e de rua do país.

De férias e preparando a animação para sair em cima do trio elétrico no Carnaval, o cantor Netinho torce para que a greve acabe logo para que o público baiano possa curtir a época carnavalesca tranquila. O intérprete do hit Mila, considera “criminosa” a maneira como os policiais conduziram esta paralisação, “fazendo uso da barbárie e do terror”.

- Eles poderiam ter conduzido seu direito à greve de forma pacífica e não trazendo pânico e causando centenas de mortes em toda a Salvador. Mas o que mais estranho em toda esta polêmica é que na época das eleições as pessoas estão mais preocupadas com futebol, reality shows, novelas, etc. Esquecem que possuem o voto e não fazem uso dele com consciência.

Contagem regressiva para a folia

Nesta terça-feira (7), os artistas baianos esperaram pelo fim da greve para manter ou cancelar as próximas apresentações.

Em conversa com o R7, o cantor Tuca Fernandes, que neste Carnaval estreia em carreira solo, sem o grupo Jammil e Uma Noites, disse que nunca imaginou que um dia passaria por uma situação de crise como esta.

- Fico triste em saber que estamos num momento de caos podendo prejudicar uma época tão importante para a Bahia. O prejuízo de manter essa paralização pode ser pior do que uma negociação. O Carnaval de Salvador é geração de emprego.

Para Tuca, se o impasse for definido a tempo o Carnaval baiano pode sobreviver. Mas se demorar mais o turismo pode levar a pior festa dos últimos tempos.

- O tempo está contra a gente. As reservas dos hoteis já caíram 10% e podemos sofrer mais.

Segundo o cantor, quando for resolvida a situação, o que Bahia precisará é da união dos artistas.

- Os famosos vão ser os divulgadores do Carnaval. O depoimento de cada um para defender a nossa festa vai ser muito importante para fazermos mais um ano desta festa linda que é o Carnaval baiano.

Do R7 | Imagem: Fotomontagem R7

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