Globo tenta humanizar jornalismo e transforma troca no JN em “novelinha” piegas de 15 minutos

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Jornalista, por definição, não é notícia. Exceções costumam ser vistas em casos de premiações ou no registro de dramas pessoais, como acidentes de trabalho, sequestros e mortes.

Mudança de apresentador de telejornal não se enquadra em nenhuma destas categorias, mas ganhou, em 2011, status de notícia importante nos noticiários da Globo. A razão parece ser o esforço de “humanização” do jornalismo da emissora, em busca de uma aproximação maior com o público.

É justo que o espectador seja informado de uma mudança como a que envolve Fátima Bernardes. Depois de 14 anos no cargo de apresentadora do “Jornal Nacional”, entendo que seja aceitável dar uma satisfação ao público. Mas acho estranha a transformação destas “cerimônias do adeus” em verdadeiras “novelinhas”, longas e derramadas.

Assim como fez numa “dança das cadeiras” ocorrida em setembro, envolvendo Chico Pinheiro, Renato Machado e Cesar Tralli, que mudaram de posições no “Bom Dia Brasil” e no “SP TV”, a troca de Fátima por Patrícia Poeta e desta por Renata Ceribelli no “Fantástico” está sendo apresentada em capítulos.

“Hoje, o Jornal Nacional virou notícia”, disse Fátima na quinta-feira, 2 de dezembro, a certa altura da reportagem de 4,5 minutos que anunciou as trocas. No sábado, no encerramento do telejornal, William Bonner e Fátima voltaram a fazer propaganda do assunto. “A gente lembra que vamos ter uma edição especial na segunda-feira. Este momento especial na história do ‘Jornal Nacional’”, prometeu a apresentadora.

No domingo, no final do “Fantástico”, teve início a despedida de Patrícia. Tadeu Schmidt derramou-se em elogios à apresentadora e disse que sentirá falta dela. Patrícia informou que ainda voltará ao programa para o ritual de troca de lugar com Ceribelli.

Nesta segunda, o capítulo da novela foi mais longo e ocupou um bloco inteiro, de 15 minutos, do JN. Bonner e Fátima receberam Patrícia na bancada e deram a ela o lugar reservado aos entrevistados ilustres. O apresentador leu um texto piegas sobre a trajetória de Patrícia na Globo, depois Fátima a entrevistou com o jargão clássico de repórter esportivo, perguntando sobre a sua “expectativa” na nova função.

Em seguida, Fátima mereceu um vídeo, narrado igualmente em tom dramático por Bonner, com um resumo de seus 24 anos na Globo. Na despedia, a jornalista falou que o JN é “o telejornal da família brasileira”. Deu as mãos a Patrícia e disse: “É um orgulho passar esse microfone para você.”

A novela continua nos próximos dias.

Do Blog do Maurício Stycer | Imagem: Reprodução

4 comentários:

Bia Silva disse...

Que besteria isso que você escreveu,é sim uma coisa importante para os telespectadores ser bem informados de tal mudança,e mais que merecido uma homenagem a essa grande jornalista,temos que homenagear os nossos enquanto vivo,e claro que não poderia passar por despercebido uma grande profissional com Fátima Bernardes,nem parece que você quer ser um Grande Jornalista um dia não dando valor aos seus.Que coisa horrível!
Merecido Fátima e sentiremos muito a sua falta na nossa telinha!

Anônimo disse...

Por que besteira?
por que horrível?


A faculdade de julgar, está dentro de um juízo moral, determinante ou reflexionante, que podem distinguir as concepções teleológicas dos pressupostos estéticos, devendo-se distinguir o belo, o útil e o agradável, pois sinteticamente, a relação apriorística imersas nos sentidos de muitos telespectadores oligofrênicos contribui à posteriori para que a mídia marque as falas e os atos elocutórios dos que de forma desapercebida os assistem.
Se a sujeira existe aos olhos de quem a vê, deve-se respeitar a diferença entre a relação subjetiva das opiniões postadas. O ato em si requer uma sensação que lhe dê sentido, haja vista que a subjetividade necessita da transcendentalidade dos indivíduos que assistem e dos que são assistidos.
Destarte, assim, os conteúdos que funcionam no interior da representação televisiva, cujos quinhões publicitários da informação encontram, em primeira instância, não na esfera social, mas na luta ideológica da instrumentalidade técnica e racional, quase sempre imposta de cima para baixo ao pequeno número de pessoas ainda não recrutado para servir...

Bia Silva disse...

Besteira e horrível!digo mais uma vez pelo fato de que o mundo já está tão desumano e tão insensível,que em um ato de amizade e coleguismo a sociedade formada por pessoas como você se viram no direito de criticar,Acredito que todos tem o direito de se expressar,concordo plenamente com você,não lhe tiro esse direito e por acreditar nisso,afirmo que este comentário é feito por uma pessoa que realmente está acompanhando um mundo de maldade onde todas as atitudes humanizadas são motivos de critica,
E concluindo,acho plausível todas as formas de expressão de bons sentimentos,criticaria sim,se eles usassem sua posição na TV para fazer apologia as drogas,ou a violência.E acredito que assim como eu,muitas pessoas já se emocionaram em ver um gesto tão bonito de gratidão a um colega de trabalho que por tantos anos colaborou de forma tão profissional para levar a notícia ao mundo,diferentemente de quem postou essa matéria.


Obs> Ao autor dessa crítica a meu posicionamento,da próxima vez escreva de forma clara,pois de nada adianta escrever em palavras bonitas e ser entendido por tão poucos.

Anônimo disse...

Querida Bia Silva, gostei muito das críticas que você fez em relação ao meu comentário, assim como eu fiz ao seu. Somos, porém, duas almas com opiniões e, talvez, visões de mundo diametralmente diferentes. Reconheço que escrevo de maneira um pouco truncada para muitos leigos e até para pessoas letradas, embora não me sinta pior ou melhor a meus semelhantes. Nesse sentido, devemos sempre fazer um exercício hermenêutico para interpretar corretamente o que os outros escrevem e falam. O conhecimento torna-se assim dialético, permitindo a aparecimento dos contrastes e das diferenças.
Não neguei nem figuei apoquentado com a sua capacidade de se emocionar com a saída da jornalista Fátima Bernardes. Eu particularmente me choquei, quando, ao ligar a televisão vi a notícia. Sou entretanto, estudante de ciências humanas, e por isso busco descolar e translocar muitas ideias preconcebidas que o senso comum infelizmente cultua. Nosso etnocentrismo não permite que vejamos outros mundos e novas maneiras de abordá-lo. A publicidade hoje é talvez o ramo mais próximo do público informativo do país. Sempre esteve lado a lado com o poder do grande capital e dos grandes magnatas da informação, transformando e recriando a imagem que temos da própria sociedade.
A mídia não tem apenas a dimensão e a performa-se de "educar", mas quando minimamente a faz, torna esse quadro pedagógico sem nenhum compromisso, haja vista que o que está realmente em jogo são os interesses da grande mídia e não dos consumidores. A mídia e a publicidade são hoje efetivos produtos de consumo. Quando assistimos TV, não somos vistos como seres humanos, portadores de uma identidade própria e cristalina, mas como espectadores, cuja visão torna-se obnubilada pela realidade que dizemos ser verdadeira. A globo, assim como todos os canais privados, ou seja, aqueles que trabalham em prol da iniciativa privada, seguem um rígido padrão para passar os conteúdos transmitidos. Em um mundo onde a cultura se tornou indústria e o ser humano se tornou adestrado pela técnica, não há razão para pensar, mas apenas reproduzir.
Como você bem escreveu, muitos telespectadores ficariam preocupados se as informações passadas fizessem apologia as drogas, a violência (e fazem indiretamente), mas, no entanto, muitos de nossos tão queridos jornalistas fazem apologia ao imperialismo político de direita, tem uma minoria étnica negra grandiloquente (quantos negros são jornalistas na tv brasileira se comparado aos brancos?), pouco respeito a opinião das massas, entre tantos outros, formação de uma juventude alienada, sob os quais eu me perderia em minha própria labuta.
Quem desumanizou o humano? quem retirou-lhe a auréola irridente? que seres humanos são esses que trocam o pescoço pelo cérebro num momento sublime de seus espíritos salutares? onde está a arte e o amor, senão jogados numa hipoteca sem destino certo e inescrutável?
Com isso, amiga Bia Silva, não falei em "direito de criticar" como você se referiu a mim, mas em "faculdade de julgar", o que é bem diferente, pois tem um conteúdo filosófico e simbólico bastante diverso. Ter amor a pessoa humana é fundamental, assim como expressar a opinião também é. imperativo categórico!

abraço a você Bia Silva, embora não te conheça, tive a oportunidade de dialogar de forma saudável, sem a decadência secular daqueles que, em pleno gozo escumalhizante, se utilizam de palavras pouco condolentes.

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